Eu sei, por experiência própria, que nem sempre os trabalhos que fazemos em fotografia são os mais apeteciveis. Muitas vezes temos de fotografar aquele presidente daquela empresa, sentado na sua secretária (a mesa e não a colaboradora que atende o telefone), ou um congresso chato. Todas as profissões têm o seu lado menos atractivo.
Um jornal ou uma revista não publica as nossas fotografias porque são muito bonitas ou porque são boas técnicamente ou mesmo porque são arte. Os meios de comunicação são negócios, por isso publicam as nossas fotografias porque elas ajudam a vender e a fazer negócio. O facto de serem bonitas, boas, etc é uma mais valia, mas não é o factor mais importante do ponto de vista do jornal, ele só quer informar, não tem a pretenção de ser colocado na parede dentro de uma moldura.
Um projecto de trabalho proposto a um jornal, para uma reportagem que até pode resultar em fotografias maravilhosas e muita consciência social, só tem valor se ajudar a vender. Por isso, muitas vezes, esses projectos são recusados. Eles custam tempo, dinheiro, etc, etc. e se não houver o potencial aumento de vendas, não justificam a perda de tudo isso.
Mas actualmente os jornais e as revistas já não detêm o monopólio da informação. Hoje temos a internet e qualquer um pode criar o seu blog gratuito e colocar online a sua reportagem bem iluminada e socialmente relevante.
Custa dinheiro? Claro. Ocupa tempo? Muito! Mas é essa circunstância que o jornal recusa, agora depende de cada um julgar se o resultado merece o sacrificio.















